segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021
BLOCO DAS SAUDADES
quarta-feira, 13 de janeiro de 2021
ENCONTRO
quarta-feira, 28 de outubro de 2020
“MACHISMO MATA”
“MACHISMO MATA”
Caso estes versos se chamassem
De
poesia ao invés de poema
E
usassem o nome Maria
Por exemplo,
já bastaria
Para
aumentar suas chances
De ser
agredida ou assassinada
No Brasil, somente em 2019
1314
mulheres e 124 pessoas trans
Foram
mortas unicamente
Por
causa dos seus gêneros
Segundo
dados oficiais
Ainda
inferiores à realidade
“O
machismo mata todos os dias”
Se esta
frase não é minha
A responsabilidade
é toda nossa
Geraldo Ramiere
sexta-feira, 23 de outubro de 2020
A PRIMEIRA CHUVA DE PRIMAVERA
A PRIMEIRA CHUVA DE PRIMAVERA
quinta-feira, 24 de setembro de 2020
ACORDES EM NÓS
ACORDES EM NÓS
domingo, 13 de setembro de 2020
LAVRAMENTO
segunda-feira, 31 de agosto de 2020
FLUIDEZ
IMAGEM: pintura de Mari José Gaztelumendi
quarta-feira, 19 de agosto de 2020
ALTA MIRAGEM - para o aniversário de 161 anos de Planaltina-DF
sexta-feira, 7 de agosto de 2020
ADÁGIO PARA A SAUDADE
ADÁGIO PARA A SAUDADE
Geraldo Ramiere
segunda-feira, 6 de julho de 2020
XAMÃ
quarta-feira, 1 de julho de 2020
EVIDÊNCIA SECRETA
A não datar meus poemas
Se ainda os assino
É por pura vaidade
Há poesias que tardam
Meses, às vezes anos
Para serem escritas
Outras nunca são conclusas
Continuando incompletas
Dentro do coração de poeta
E o que escrevo não é nada
Comparado ao que nunca escrevi
Versos que surgem em mim
Rarefeitos, e depois desaparecem
Mais rápido do que a mão
Poderia acompanhar
A poesia é o que permanece
E também tudo que se esvai
Evidente e secreta
Brincando entre dedos
Geraldo Ramiere

terça-feira, 30 de junho de 2020
O JARDIM DE OMAR
por Geraldo Ramiere
INSURGIR
Nada mais revolucionário
Do que um beijo diante do ódio
Do que o abraço perante a dor
Do que amar sem definição
Nada mais revolucionário
Do que transbordar poesia
E acreditar no outro dia
Mesmo na pior aflição
Nada mais revolucionário
Do que não se deixar morrer
Do que contrariar as estatísticas
E dentro de si ser revolução
Geraldo Ramiere
INFRAÇÃO DA INFÂNCIA
Por causa da pandemia sabia que sua família não lhe deixaria sair para o parquinho, mesmo acompanhada e tomando todas as precauções. Depois de tantas semanas presa dentro de casa, olhando aquele balanço pela janela, sonhava em respirar ar puro e sentir o sol no rosto. Guardou esse sentimento por tanto tempo que uma hora não aguentou mais. Quase sempre sentada no sofá, durante dias observou o movimento dos adultos no apartamento até conseguir uma brecha. Naquela segunda-feira finalmente esqueceram a chave na fechadura. Silenciosa como era, sem ninguém perceber pôs sua máscara e luvas, abriu a porta e desceu passo a passo pelas escadas dos dois andares até o térreo. Aguardou ainda a distração do porteiro e a entrada de algum outro morador do prédio para escapulir sorrateiramente. Quase saltitou ao constatar que seu plano tinha dado certo. Sentada no balanço, moveu-se sem ser muita veloz, para não ter risco de cair. Nem se incomodou com os cabelos nos olhos por causa do vento. O que é felicidade afinal? Para ela era aquele momento que deve ter durado uns trinta minutos, porém, tinha gosto de eternidade. De longe ouviu o grito desesperado de alguém lhe chamando e pouco depois um certo tumulto na portaria. Mesmo percebendo a aproximação das pessoas, continuou tranquilamente em seu balançar. Parou apenas quando um rosto familiar esbravejou: “Vovó!”. Era a mais velha de suas netas, rodeada por outros membros da família, a maioria sem conseguir segurar o riso. E a sonora gargalhada solta por aquela octogenária senhora, daquelas que ela não dava desde a infância, estava imune a qualquer enfermidade.
segunda-feira, 29 de junho de 2020
POR ONDE ATRAVESSA O SOL
Mário Quintana
Mesmo que demore, nos reencontraremos
Nas praças iluminadas de um novo dia
Respirando juntos a gratidão pela vida
E os vapores das lágrimas pelos que foram
Dentro de nós amanhecerá outra vez
As ruas sorrirão ao rever nossos rostos
E numa ciranda seguraremos as mãos
Sem temer o próximo crepúsculo
Cada abraço será único
Como se fosse o último e o primeiro
E toda saudade se sentirá saciada
Na sede do derradeiro olhar
Enquanto isso é preciso manter
As janelas e os corações abertos
E destrancar aqueles aferrolhados
Como quem escreve um poema
Geraldo Ramiere
PANDEMIA
domingo, 28 de junho de 2020
ANCESTRALIDADES
Quanto marcas na pele
E cada uma delas
Possuem histórias
Que atravessam eras
Fronteiras e mares
Algumas continuando
Abertas feito feridas
Expostas e doídas
Sobre as superfícies
Levemente ásperas
Da memória e do tempo
Quando fecho os olhos
Consigo escutar
Cantigas, cantares e vozes
Antepassados que hoje
Em minha cabeça
Orientam meus caminhos
Geraldo Ramiere
IMAGEM: pintura de Darla Nelson
LETRA POR LETRA
NO BALÉ DA REALIDADE CISNES NEGROS SÃO BALEADOS
Contra uma família inocente
Negra, num carro branco
Mataram o pai músico
E um rapaz que tentou ajudar
“Foi engano”, disseram os militares
Assassinaram uma menina
Ela tinha oito anos
"Fazia balé", disse o avô
“Houve confronto”, falaram os PMs
Morreu com tiro de fuzil
Era negra também
Um músico, uma bailarina
Que não mais farão arte
Igual há tantas e tantos
Mortos por causa da pele
Que talvez seriam cisnes negros
Um Cruz e Sousa, uma Clementina
Elza Soares, Mano Brown, Elisa Lucinda
Junto com outros e outras artistas
Dando um baile nas estatísticas
Mas que ainda são exceções
Porque no Brasil, balas perdidas
Tem na cor preta alvo tradicional
Num certo dia, eu, ser crítico
Consciente das minhas raízes
Estava num ônibus quando
Entraram dois jovens negros
Cuja simples presença deixou
Todos os passageiros tensos
Inclusive a mim, sim, a mim
Foi quando as Carolinas de Jesus
Dos meus quartos de despejo
Protestaram: “moço, você foi racista!”
E desde então admito que ainda
Tenho senzalas para libertar
Geraldo Ramiere
IMAGEM: pintura de Wilson Tiberio.
sábado, 27 de junho de 2020
NA LITERÁRIA TRAVESSIA DE VIVER
Geraldo Ramiere
A CIDADE E AS NUVENS - Brasília 60 anos de poderes, pesares e poesia.
A PARTIDA DA POESIA (Do Futebol e Outras Literaturas)
Além de poeta, também sempre fui goleiro (o que poucos sabem). Por ser péssimo na linha, desde garoto me sobrava somente o...
Tradutor
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Além de poeta, também sempre fui goleiro (o que poucos sabem). Por ser péssimo na linha, desde garoto me sobrava somente o...
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Foram mais de oitenta tiros Contra uma família inocente Negra, num carro branco Mataram o pai músico E um rapaz que tentou ajudar “Foi engan...




















